“O rato” (A voapluma, Diario de Ferrol, 16/05/2000)

A discusión acontece en Madrid, motivada polas expresións dunha serventa ecuatoriana, que fala curioso castelán. Esta moza responde que a súa señora se ha de pór ao teléfono “en un ratito”.
O español que tal escoita pensa nun pedazo de tempo significativo, aínda que curto, e non comprende como a dama chamada lle vén falar axiña.
A cuestión é de “deriva semántica” que dirían os entendidos; e —unha vez máis— a consulta do Corominas dá a solución ao caso.
Di o estudioso catalán que rato “significó primero ‘instante, duración momentánea’, acepción todavía general en América del Sur, y sólo más tarde… pasó a significar ‘espacio largo de tiempo’…”.
Isto canto á acepción en castelán, que nada ten que ver coa galega —segue a discusión en Madrid—. Rato en conversa de romance ibérico occidental só é un bicho que asusta os meducas.
O equivalente ao rato castelán é para galegos anaco, pedazo, pouco, intre…; e para portugueses, insistentemente, bocado.
Nunca “rato”, mantén un dos discutidores. E conta anécdota en referencia a un fillo:
Sendo pequecho, na gardería, pedíu que o puxesen a facer unha necesidade. A mestra tentou que fose disciplinado e díxolle —en suposto galego— que o ía “levar ao cuarto de baño nun rato”.
Daquela o neno preguntou: “¿E onde está o rato?”.
As cousas das falas son así: de costume, que fai a diferencia. Por falta de costume, en Galicia non se relacionaba rato con tempo, aínda que o étimo —volvendo a Corominas— pode ser tan galego coma castelán: raptus, do latín pai de todas as falas.

[Diario de Ferrol, A voapluma, 16/05/2000]

As falas do Brasiguai

Há muitos anos, quiçá quarenta, chamava a atenção do visitante das Cataratas do Iguaçu o fato de ouvir a Rádio Itapiru, instalada no Paraguai, em três idiomas: castelhano para as notícias, guarani para as canções e português para os anúncios comerciais.

Hoje o viageiro que percorra a zona de fronteira entre o Brasil e o Paraguai, ao largo duma faixa de cem ou mais quilómetros em território paraguaio, fica com dúvidas sobre qual é o país que visita. Os topónimos guaranis dizem-lhe que está numa república que tem esse idioma como oficial. Indicações de trânsito indicam-lhe que também o castelhano é oficial. Mas anúncios empresariais de todo tipo, cartazes de propaganda, nomes de negócios estão quase todos em português. De resto há-os em espanholês (a palavra “loja” substituiu “comercio” ou “tienda”) e, raramente, em castelhano (os de grandes empresas paraguaias como os bancos).

Escutando o rádio do carro, observa-se que, por cada emissora que se exprime em castelhano, há uma dúzia delas que o fazem em português. Parando num restaurante para a refeição é quando se percebe às claras a sensação de não estar no Paraguai: os empregados falam ao cliente em português, a ementa vem escrita em português, a televisão lá está a mostrar um telejornal brasileiro.

Onde estamos logo? No que os nativos chamam de “Brasiguai”. Por se ainda houver alguma dúvida, continuando viagem em seguida aparece um qualificativo híbrido e orgulhoso, Brasiguayo, nome flanqueado pelas bandeiras do Brasil e o Paraguai. Os donos dos estabelecimentos que de tal modo se anunciam titulam-se a si próprios como brasiguaios.

E como se entender o viageiro com eles? Se não quiser ter dificuldades, faça-o em português. O castelhano dos interlocutores é mais guarañol do que lengua de la Madre Patria (o guarani é uma idioma ininteligível: só se alcança a saber do que tratam os seus falantes quando introduzem algum termo castelhano ou português no discurso).

Que fala então esta boa gentinha na casa, ou com os colegas do trabalho? Em absoluta maioria, guarani. Se nos assuntos de técnica (numa terra que dá quatro colheitas ao ano vigiadas por satélite) se exprime em português, onde fica o castelhano?

Na escola. Os manuais dos pequenos estão escritos em castelhano e em guarani. Os professores, seguindo ordens do ministério da Educação (lá longe, em Assunção), ensinam as matérias nas duas línguas oficiais… mas os alunos fazem as perguntas em guarani ou em português.

E como responde o mestre? Em português porque ele também provavelmente seja brasiguaio.

Ora, se não for brasiguaio? Uma mestrinha simpática confessa que ela, que vem de longe, já aprendeu “muito português, de ouvir os meninos e de ver a televisão”.

Estamos pois de fato numa zona de colonização linguística descarada, de imposição da língua oficial do país vizinho pela força dos mídia e da tecnologia do Brasil, grande potência técnica e agro-pecuária.

Para os sócio-linguistas trabalharem no fenómeno, ainda há um aspecto dele a ter em conta: o analfabetismo. Pessoas maiores que não foram à escola nunca aprenderam o castelhano. Metidas no seu mundo rústico, alheias ao rádio, à televisão, não precisavam desse idioma; e quando faziam incursões nos escritórios da Administração eram tratadas no idioma que todos os paraguaios sabem falar, com mais ou menos jeito, desde guarani puro a guaranhol.

Mas chegaram os brasileiros nos tempos de Stroessner, compraram infinitos hectares de mato, roçaram, araram, plantaram, colheitaram… dando ordens em português.

Eis pelo que os “peones de estancia” entraram no mundo das línguas romances não pelo castelhano mas pelo português dos amáveis invasores…

Qual vai ser o futuro do Brasiguai? Algum dia o Mercosul será uma verdadeira união de países ibero-americanos nos que se falam idiomas indígenas além de castelhano e português. E façamos uma simples conta: o produto interno bruto do Brasil é 3 vezes o da Argentina; a população brasileira, 5 vezes a do seu competidor austral. Desde há anos, os centros de estudo de idiomas em Buenos Aires apregoam as línguas de Shakespeare e Camões ao mesmo nível.

Se a isso somarmos o patriotismo dos brasileiros e o seu convencimento de que só são nação pelo idioma português, coisas veremos. Por enquanto, o Brasiguai já é aviso para os países que têm fronteira porosa com “esse monstro criador de cultura” como lhe chamava Eduardo Blanco Amor à República Federativa da Ordem e o Progresso (onde também o guarani é fala materna dum número importante de cidadãos).

[Palavra comum – Artes de letras da lua nova, 10/06/2015]

La impolítica lingüística (A voo de tela, 16/12/2012)

Conocida la alergia al idioma gallego del señor Rajoy y deducida por las soflamas del señor Wert su humanística ignorancia, estas notas a vuelatecla para La Voz de Galicia hoy van en castellano. Dada la situación que vive España y la audiencia de La Voz allende el Bierzo, valga la excepción…
En el centenario de la Academia Brasileira de Letras, el presidente Cardoso dijo que su país inmenso existía como unidad nacional gracias al idioma portugués: idea respetable, que, sin embargo no soporta el peso de la ciencia. Un filólogo habría dicho que la unidad de Brasil se debe al idioma gallego, impuesto a punta de espada desde Coimbra hacia el sur, donde se hablaban mozárabe, bereber y algo de árabe.
La Historia se puede inventar pero la filología y la socio-lingüística no admiten cuentos. Quizá desde Madrid, y a penas hablando castellano, se llegue a imaginar posible un autonómico café para todos en lo tocante a idiomas. Pero no lo es.
¿Qué tienen que ver Galicia, País Vasco, Cataluña y Valencia en relación al “bilingüismo”? Muy poco. El gallego (no el castrapo) es la forma original de uno de los tres idiomas europeos más hablados en el mundo. Para los vascos el castellano era una lingua franca, una salida al mundo latinizado. En Cataluña el idioma fue protegido por la Iglesia, mientras en los seminarios gallegos se castigaba con el “anillo de hierro” al infeliz que no podía ocultar su lengua materna. En Valencia siempre hubo poblaciones de habla castellana…
Si en España no gobernase la impolítica lingüística, se aceptaría que el multilingüismo es una quimera; y que, en términos de socio-lingüística eficaz, lo que se debe buscar es la multiglosia consciente, adaptada a cada circunstancia. Solo un catalán tonto puede despreciar el conocimiento de la lengua castellana, supracontinentalmente útil. Y solo un cavernícola monolingüe puede pensar que su idioma no es foráneo allá donde el natural es otro.
Si España quiere abrirse a más mundo que el hablado en castellano, ¿por qué la insistencia del “bilingüismo armónico” que conduce a la agonía del gallego? Pasan las décadas y continúa cortándose la transmisión de la lengua entre generaciones (he ahí al castellanizado señor Rajoy, nieto de ilustre redactor de Estatutos en gallego).
“Wert” es palabra germánica que dice de valor, precio, hasta de mérito. Gran mérito sería el de un exdiputado por Coruña reconocer que cada “región” tiene sus características, y que Galicia es el puente de España con la Lusofonía. En vez de tanto “derecho” a estudiar en castellano, más valdría hacer obligatorio el estudio del portugués: basta con mirar a penas hacia Angola y Brasil.
Imagine el madrileño que esto leyere que la lengua oficial de Francia y sus excolonias fuese el occitano. ¿No merecería la pena fomentar su estudio en Cataluña? Claro que, para hacerse esa pregunta, es necesario considerar a “las Españas” en su completa dimensión (a lo cual ayudan vivir “en provincias” y viajar mucho).

[La Voz de Galicia, A voo de tecla, 16/12/2012]

Castelhano na entranha do português

O Professor Fernando Venâncio é, por direito de obra, o herdeiro do ínclito Professor Manuel Rodrigues Lapa: não há portugueses que tanto amassem a originalidade galega, tal vez por terem alma de cientistas, inimiga de preconceitos. Eles sabem que para teorizar do português com propriedade não se pode crer nos passarinhos emprenhados: o português, língua universal, não surdiu da lezíria lisboeta mas das montanhas “do Norte”.

Aos trabalhos hercúleos de Rodrigues Lapa sobre a unicidade galaico-portuguesa, Venâncio soma uma linha de investigação que também provoca temores na Filologia e na Historiografia Oficiais da República Portuguesa: o castelhanização do idioma do Estado, a níveis que para os galegos atingem o ridículo.

Fernando Venâncio, lá nos frios húmidos da Holanda onde exerce ciência e docência, utiliza instrumentos que Manuel Rodrigues Lapa desconheceu (lembro as suas fichas e conservo com devoção as suas cartas a máquina com correções entre linhas). A telemática ajuda-o a pesquisar e a redigir. Assim chega com a pesquisa a minas linguísticas inexploradas e escreve com precisão esmagadora.

Já nos fizera gozar com o seu estudo dos castelhanismos crescentes na obra de don José de las Canarias (sempre ajudado por doña Pilar la Sevillana, grande filóloga, autora de tese com importante enunciado: “El gallego es portugués mal hablao”). Não sei como sentariam no establishment de Portugal essas descobertas do amigo Venâncio mas também não sei de ninguém que se lhe revirasse…

Bem, senhores. Pois, por se não lhe abondasse com a malheira a dom José o Nobilíssimo, agora o Fernando abriu “causa geral” contra todos os patrícios que desde o século XVI para cá vieram a meter a fala da Castela na sua. Publicou O castelhano como vernáculo do português. O trabalho põe à vista uma teima por dar a bem-vinda a termos castelhanos que não faziam falta, pois não eram invenções feitas na Castela, aproveitáveis em qualquer língua, mas substitutos desnecessários. O fenómeno foi semelhante ao que sofre o castelhano moderno em relação ao inglês, com atrocidades como “inalámbrico” em lugar do bem assentado “sin hilos”.

Mas por que essa tendência? Eis logo onde se vê o cientista Venâncio arriscando tese: porque nos tempos das Hespanhas os portugueses quiseram jogar a iberistas, a que no português coubesse todo quanto lhes vinha do Leste peninsular conhecido por eles (nada de basco nem de catalão). Houve uma sucessão de gerações de portugueses que foram mesmo bilíngues (por certo, ajudados pela Igreja que já castelhanizava duramente a Galiza). Ficava-lhes simpático o castelhanizarem e, como eram os cultos do país, espalharam entre a gente, analfabeta, cães de palheiro aos feixes.

Esse fenómeno entra no século XVIII, quando Portugal, como o resto da Europa, se torna galicista; e será de aí para frente que os estudiosos da língua oficial tentem a procura do purismo… sem que deixe de haver autores, fazedores de corpus literário português, a manterem aberta a torneira das palavras “espanholas”. E assim até dom José o Iberista.

A um galego culto, palavras como “trecho”, “palito”, “tejadilho”, “munheca”… soam-lhe ao que fedem: a parte de la Lengua del Imperio. Outras como “lágrima” ou “lábio” não são do seu gosto; não as usaria; e –como sinala Venâncio no seu estudo– sempre que possa, um galego “estudado” dirá e escreverá “doado” para evitar “fácil”. Porque a diglossia do Impaís Consciente é militante; os galegos nunca tentaram abraçar o mundo que fala castelhano, que os oprimiu, que lhes quis fazer esquecer a fala familiar com a escola e com os mídia. Venâncio escreve que na Galiza há um diferencialismo salvador, algo que não lhe viria sem proveito a Portugal…

Como um sempre deve fazer crítica do que lê, quanto mais se for escrito por um amigo admirado, não quero deixar Palavra comum desta volta sem dizer que, sendo o Fernando Venâncio pessoa de espírito matemático, em O castelhano como vernáculo do português não fez quantificação de termos espanhóis no português, com as suas frequências da aparição. Estudos semelhantes há para os termos franceses no inglês, e para os árabes no castelhano.

Mas tenhamos paciência. Qualquer dia esse humanista que pensa em neerlandês sem deixar de sentir em português pode-nos surpreender dando satisfação a tal demanda. Sempre será bem-vinda pelos que queremos bem ao povo que ainda espera por um Dom Sebastião que, se calhar, também tentara falar castelhano.

[Palavra comum – Artes de letras da lua nova, 25/02/2015]

República por lógica

España está viviendo una situación que dura demasiado, a la que nos abocó una transición de la dictadura a la democracia hace casi cuarenta años.
En aquel tiempo, algunos, que ya éramos padres de familia, dijimos que esa transición era incompleta y cerraba en falso una partida histórica: sencillamente, no se podía transitar del fascismo ridículo, aislacionista, del Generalísimo y sus pajes, a una monarquía (para más defecto, impuesta por el Enano del Pardo).
En mi caso -y ya lo publiqué varias veces-, para no votar a la Constitución de 1978 me fui a Buenos Aires.
La Constitución fue adelante y, como muchos otros demócratas, siempre respeté la voluntad mayoritaria: una especie de república federaloide con un jefe de Estado no elegido.
Cuando el protogolpe de estado del 81, sufrí la vergüenza de que un holandés me pidiera que lo llevase al aeropuerto urgentemente. Aquel aciago 23 de febrero el visitante quería escapar de España “as soon as possible”. En el aeropuerto, despidiéndonos, me dijo una frase inolvidable: “Mister Alcala, this is like Bolivia” (país donde había sufrido las consecuencias de una asonada militar).
Después de ese día, todo el mundo falto de información se convirtió en juancarlista; pero algunos -con información desde dentro- entramos en un círculo de sospechas.
Es más, los republicanos por lógica seguíamos manteniendo que la monarquía era un anacronismo…
Bien, después de treinta y cinco años de Constitución, venimos a descubrir asuntos (no hace falta mencionarlos) que demuestran como el monarca español y su “entourage” no son fiables. Y, es más: no tienen el coraje de quitarse de en medio después de los ridículos hechos.
Si en 1978 votamos (votaron, que yo me abstuve) una constitución, ¿tantos años después no podemos enmendarla?
Recientemente, un medio digital hizo una encuesta entre sus lectores en toda España. El resultado fue contundente: más de un 80% creen que la monarquía borbónica ya complió su cometido transicional.
No sé si los elaboradores oficiales de encuestas dan valor a las que no hacen ellos. Tampoco sé si consideran con valor demoscópico el torrente de mensajes de las redes sociales; pero no hace falta ser un gran experto para entender que algo hay en el ambiente cuando no se ven twits a favor de la monarquía. Ni uno.
¿Es ajeno el sistema de propaganda de la llamada Casa Real a estos hechos? Yo creo que no. Por eso (utilizando dinero público de una gran mayoría de españoles que ya no soportan más el sistema nacido en 1978) sus gestores trazan todo tipo de antimedidas para contrarrestar lo que se le viene encima…
Nunca en mi vida había visto un 14 de abril como el de 2013, con banderas republicanas en ventanas y postes. Algo hay nuevo, pues. Hay lógica.
Nunca había oído a ancianos en el parque -necesariamente votantes de derechas- decir que las familia real supone un gasto inicuo y tiene miembros a los que hay que meter en la cárcel y obligarlos a que devuelvan lo que adquirieron ilegalmente. Sigue la lógica.
Pero lo más interesante fue escuchar una conversación con miembros activos del Partido Popular, que resumo: no es sostenible que el principal puesto político de España, la Jefatura del Estado, esté bloqueado; que no pueda acceder a él un político de carrera. Lógica aplastante.
¿Para cuándo el referendum?

El General Sombra

Quisiera recomendar la lectura de “El General Sombra”, de Arnoldo Tauler, un autor con trayectoria significativa que, sin embargo, no conecemos en España los interesados por Cuba, inolvidable pedazo de la Hispanidad más próxima: patria de cubanos criollos y de españoles acriollados hasta hoy.
En la novela de Tauler se presentan dos realidades en paralelo, con dos narradores diferentes, que el novelista conduce en paralelo con gran acierto. Por un lado avanza la historia manejada por un narrador omnisciente, que conoce al General “Sombra”, un duro y fiel del régimen castrista. Por otro lado se desarrollan los pensamientos del Comandante, que se agarra a cualquier hipótesis con tal de mantenerse en el poder.
El momento en que se producen los hechos la Unión Soviética se desmorona y su aliado caribeño no sabe a qué agarrarse. En su entorno aparecen personajes partidarios de la apertura, de la perestroyka, que el tandem de los Castro Ruz tiene que eliminar. Tauler traza una historia de intrigas cruzadas que arrastra al lector ansioso hacia el final posible: hubo un general que se salvó del paredón; pero que, visto como perdía su gente, se replegó.
Quizá ese general viva todavía, animado a hacerlo por el deseo de ver muertos a Fidel y Raúl. Quién sabe, pero, con esa sugerencia, Arnoldo Tauler nos sumerge en un mundo siniestro y verosímil que puede explicar lo que tendrá que pasar -sí o sí, sin duda- cuando la Parca se digne a tener una charla con los “muchachos” que le armaron la revolución a Batista y después instalaron la dictadura más larga de la Historia Contemporánea.
Busque el lector la referencia de “El General Sombra”, compre el libro y tenga por seguro que hizo una buena inversión.

La necesaria III República

A los que no tengan relación próxima con la cultura galaico-luso-africano-brasileña el nombre de Ernesto Guerra da Cal quizá no os suene. Sí os suenan, y mucho, los de García Lorca y Valle-Inclán; algo os puede sonar el de Rosalía de Castro, porque se mencionaba en clase de Literatura entre los poetas del romanticismo español. Y difícilmente os sonará -salvo a los muy leídos- el de Eça de Queiroz.
Pues sabed que Ernesto Guerra da Cal fue un ferrolano al que admiraba apasionadamente García Lorca, por guapo, valiente, buen actor (de La Barraca) y poeta: él fue quien, de verdad, escribió los poemas en supuesto gallego de Lorca.
Además fue quien enseñó en Estados Unidos lo que significaron en Europa Rosalía Castro como poeta y Eça de Queiroz y Valle (que copiaba a Eça) en los ámbitos de la novela y el teatro.
Ernesto era un tipo sin pelos en la lengua, y muy consecuente con su ideología. Quien quiera verlo claramente, pida en el Registro Civil de Ferrol copia de datos de Guerra. Verá que, en los años 60, manda borrarse de español por no estar de acuerdo con el régimen de su paisano…
Yo también admiré a Ernesto, que nunca quiso volver a España, durante el franquismo por adversión, y en la democracia porque decía que era falsa, incompleta, castrada…
Si todos fuéramos como Guerra, nos tendríamos que haber ido en el 78, cuando nos cayó la Constitución de la Transición. Pero -como tantas veces le dije y le escribí al viejo recalcitrante- yo había aceptado mi derrota democráticamente, para, de esa manera, dentro de la democracia formal, luchar por un objetivo: la República que permitiera a una mayoría grande de españoles sentirse a gusto en España.
Siempre pensé que el País Vasco iba a abrir fuego contra un Estado absurdo, y pensé que se facilitaba la transición verdadera con la entrada de España en la UE y, después, con la adopción del euro como signo monetario de la Unión.
No imaginé que fuera Cataluña la que iniciase el asalto al Estado que alimenta la Caverna Madrileña. Pero ahí está Cataluña levantada, exigiendo libertad para separarse o, por lo menos, asimetría dentro del Estado.
¿Cuál puede ser la meta para todos los pueblos que componen el mosaico español?
Algo diferente a lo que se derivó de que un tal Juan Carlos de Borbón le jurase lealtad eterna a Franquito (también llamado Cerillita y Paquita).
Nos vendieron al Borbón como heredero de la unidad de destino en lo universal, después como salvador de la democracia y ahora, cuando ya sabemos todos de sus vicios y sus pecados, nunca compensables con acciones gloriosas (u honrosas por lo menos); cuando ya no se aguanta sobre las propias piernas, nos van a querer vender que sus herederos son los garantes de la continuidad de España en el mindo…
Pienso que los Borbones no se lo creen, pero saben que los tiempos no están para lujos de monarquías en el exilio. Mi idea es que confían en que les paguemos una jugosa pensión a los que lleguen hasta las puertas de la República inevitable.
Pero, ¿por qué mantenerlos? Mejor dicho, ¿por qué mantener a toda la recua? ¿Qué les debemos a las tales infantas y los hijos habidos con los impresentables de sus maridos plebeyoides? ¿Y a la plebeyísima princesa Fictizia?
Creo que es deber de todos los españoles honrados repasar la Historia y reflexionar. Los que llevamos tantos años aguantando una Constitución incómoda, que incluye algo tan antidemocrático como la monarquía, debemos levantar la voz y predicar: hay que acabar con tanto parásito con derecho a parasitar solo por ser hijo de parásito.
Guerra da Cal tenía razón. En el 78 nos debíamos haber exiliado. Pero, si lo llegamos a hacer, aún podría haber durado más el despropósito monárquico y el absurdo autonómico.
En fin: República Asimétrica, federal o como sea. Y los Borbones, a trabajar y pagar impuestos.
Ya me direis si tengo razón